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Enfermeiro brasileiro que vendia trufas é convidado para trabalhar em hospital na Alemanha

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Quem vê o jovem enfermeiro Carlos Eduardo Arruda, de 25 anos, coordenando a Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) em Iaçu (BA), não imagina as dificuldades que ele precisou enfrentar para conseguir concluir o ensino superior.

Nordestino e de família de classe média baixa, ele precisou vender trufas nas sinaleiras para realizar o sonho de cuidar da saúde das pessoas.

A notícia boa é que, além de conseguir o sonhado diploma em Enfermagem, Carlos foi convidado para trabalhar em um hospital na Alemanha, por causa do seu bom rendimento na profissão. Com contrato assinado, ele se prepara para embarcar no ano que vem.

Filho de uma pedagoga e mãe solo, Carlos é apaixonado pela área da saúde e conseguiu ingressar na faculdade com apoio do Fies, em 2016, usando a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Busquei o Fies porque a mensalidade na faculdade onde eu estudava era R$1.200. Minha mãe era professora e nós não tivemos ajuda do meu pai. Se não fosse o auxílio eu não teria condições de fazer a faculdade porque o curso é muito caro”, explica o enfermeiro.

Carlos lamenta o fato de a “Enfermagem no Brasil ser desvalorizada”:

“Passei no processo seletivo para trabalhar como enfermeiro na Alemanha. Lá eles procuram enfermeiros de outros países. Vou começar um curso de alemão ofertado pela empresa e, daqui a um ano, vou trabalhar em um hospital de lá”, comemora.

O trabalho nas ruas

Até conseguir o tão esperado reconhecimento, o jovem precisou buscar o sustento nas sinaleiras para garantir o alimento em casa e o transporte para a faculdade. Nos dias que não tinha aula, no município baiano de Cachoeira, Carlos saía para vender trufas por R$2 no semáforo de Feira de Santana e por R$3 na praia do Cabo Sul (ambos na Bahia).

“Saía pela manhã, às vezes não almoçava, e faltava até dinheiro de transporte para voltar para casa. Já tive que pedir dinheiro emprestado. Foi com muito esforço que consegui concluir o curso”, conta.

Durante as vendas, um dos maiores desafios foi superar a invisibilidade de estar nas ruas.

“Tinha gente que virava o rosto para mim, me tratava com ignorância”, recorda com pesar.

Em alguns dias, ele voltava para casa com apenas R$25. “Mesmo com pouco dinheiro fruto da venda, eu voltava para casa alegre, aliviado por ter conseguido, pelo menos, o dinheiro para ajudar na alimentação e no transporte da faculdade”.

Superou as adversidades

Carlos superou as adversidades e, hoje, se orgulha em trabalhar acompanhando pré-natal, monitorando e prestando assistência a pacientes com Covid-19, na UBS da sua cidade, além de solucionar os problemas da unidade sob sua coordenação.

“Sempre tive paixão pela área da saúde. Há muito tempo, pensei em fazer Medicina, mas esse curso, para quem é pobre como eu, é difícil, principalmente por causa da concorrência, a nota de corte é muito alta. Optei por Enfermagem porque é uma área que também gosto”, explica.

Ele contou que o que mais ama no trabalho é receber o retorno positivo dos pacientes.

“Recebi uma mensagem de uma paciente que me motiva cada vez mais. Fiz o primeiro pré-natal dela e, depois, ela falou para a agente comunitária que amou muito a assistência recebida. Saber que estou fazendo um trabalho bom me motiva. O paciente recebe alta, sai feliz, agradece e isso para mim é muito importante”, concluiu o enfermeiro.

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Brasil

Vacinação de adolescentes sem comorbidades deve ser suspensa até para quem já tomou a 1ª dose, diz Queiroga

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Queiroga concedeu entrevista coletiva para justificar o recuo na vacinação para adolescentes

Segundo ele, estados vinham aplicando imunizantes não recomendados

O ministro afirmou, ainda, que não há dados suficientes para comprovar os benefícios da vacinação em jovens

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou nesta quinta-feira que os adolescentes sem comorbidades não deverão completar a imunização contra a Covid-19. Mesmo aqueles que já receberam a primeira dose terão a vacinação suspensa.

“Aqueles sem comorbidades, independentemente da vacina que tomaram, não tomem outra, por uma questão de cautela. Os com comorbidades podem completar o esquema vacinal”, declarou.

Queiroga justificou o recuo afirmando que a imunização de adolescentes no país foi realizada de forma “intempestiva” e sem a segurança necessária.

Isso porque alguns lugares teriam distribuído vacinas não autorizadas para esta faixa etária, uma vez que, de acordo com a Anvisa, apenas a Pfizer é própria para aplicação em adolescentes.

Outra justificativa dada por Queiroga é uma suposta falta de evidências científicas suficientes que embasem a vacinação para estes jovens.

Segundo Queiroga, até o momento, 3,5 milhões de adolescentes já foram vacinados no Brasil. O ministro destacou que 1,5 mil deles, ou 0,042%, apresentaram eventos adversos após a aplicação da dose.

Não é um número grande, mas temos que ficar atentos”, avaliou.

Ministério recomendou vacinação apenas para adolescentes com comorbidades

Na noite da última quarta-feira (15), o Ministério de Saúde divulgou uma nota recomendado a suspensão da vacinação de jovens entre 12 e 17 anos sem comorbidades contra a covid-19. Segundo a pasta, houve uma “recomendação para a imunização” deste grupo, feita pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 – mesmo com a aprovação pela Anvisa do uso da Pfizer para esta faixa etária.

Segundo a pasta, devem continuar a ser imunizados jovens entre 12 e 17 anos com comorbidades, com deficiência permanente ou jovens provados de liberdade.

A nota lista seis motivos para a revisão dessa vacinação. Veja abaixo os motivos litados pelo Ministério da Saúde:

A Organização Mundial de Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente, com ou sem comorbidades;

A maioria dos adolescentes sem comorbidades acometidos pela COVID-19 apresentam evolução benigna, apresentando-se assintomáticos ou oligossintomáticos;

Somente um imunizante foi avaliado em ECR;

Os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos;

Apesar dos eventos adversos graves decorrentes da vacinação serem raros, sobretudo a ocorrência de miocardite (16 casos a cada 1.000.000 de pessoas que recebem duas doses da vacina);

Redução na média móvel de casos e óbitos (queda de 60% no número de casos e queda de mais de 58% no número de óbitos por covid-19 nos últimos 60 dias) com melhora do cenário epidemiológico.

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Datafolha: Bolsonaro bate recorde de reprovação em nova pesquisa

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O presidente Jair Bolsonaro segue com sua reprovação em tendência de alta, chegando a 53%, pior índice de seu mandato, segundo Datafolha desta semana.

Levantamento realizado nos dias 13 a 15 de setembro ouviu presencialmente 3.667 pessoas com mais de 16 anos, em 190 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

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