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ESPECIAL | O choque das civilizações

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assou-se um bom tempo antes que os europeus começassem a tentar realmente entender os moradores do litoral atlântico da América do Sul. Nos primeiros 49 anos entre a visita de Pedro Álvares Cabral e o início efetivo do esforço de colonização, com a chegada do primeiro governador-geral da colônia, Tomé de Souza, ninguém estava interessado em mapear e descrever os diferentes povos que habitavam neste território. Quem vivia por aqui nessa época buscava sobreviver, o que já era muito.

Quem mudou essa situação foram os jesuítas. A partir do momento em que chegaram a Salvador, em 1549, os jovens religiosos, pertencentes a uma ordem criada apenas uma década antes, realizaram com afinco a tarefa de descrever, com grande rigor, os costumes e o idioma dos pagãos locais que, do ponto de vista deles, precisavam ser convertidos.

Havia também os viajantes, como o explorador alemão Hans Staden, que viveu entre os indígenas, escapou de ser sacrificado num ritual de canibalismo e conseguiu retornar à Europa. Os relatos que pessoas como ele publicaram faziam um sucesso gigantesco na Europa. Mas não ajudavam a entender, de fato, a miríade de povos e costumes que habitavam a faixa estreita de litoral brasileiro que os portugueses tentavam controlar.

Quando começaram os esforços sérios para compreender os povos indígenas que habitavam o Brasil, os nativos já haviam sido transformados pelo contato com o europeu. Além disso, as descrições eram limitadas, porque os colonizadores demoraram muitas décadas para sair da costa, e havia uma enorme variedade de povos habitando o interior, do atual Chile até a Amazônia, passando pela região do Pantanal.

Por tudo isso, por muito tempo, as peças de propaganda superaram os estudos arqueológicos e etnográficos. Foi só a partir do século 20 que começaram a surgir informações mais confiáveis sobre as pessoas que viviam por aqui antes de 1500. O que faziam os locais, de diferentes regiões e etnias, enquanto boa parte da Europa, por exemplo, era dominada pelos romanos, ou os árabes revolucionavam a matemática, ou a China descobria as aplicações militares da pólvora? Quem eram os seres humanos que nos acostumamos a chamar pelo termo genérico “índio”?

A chave para essas respostas passa pelo ramo tupi, um povo que surgiu na Amazônia e controlou quase todo o pedaço gigantesco de América do Sul que hoje forma nosso país.

Longa viagem

Por 31 anos, da chegada de Tomé de Souza em 1549 até Portugal ser anexado temporariamente à Espanha, em 1580, os jesuítas exerceram o monopólio da catequização de índios. Eles perceberam rapidamente que os tupis eram muito importantes, tanto que dividiram os povos locais entre tupis e tapuias – sendo “tapuia” um nome tupi que significa “estrangeiro”, “inimigo”, e que acabou adotado pelos religiosos para designar todas as outras etnias indígenas.

Para os jesuítas, aprender o idioma do povo dominante era prioridade máxima. Em 1595, imprimiram a gramática de tupi elaborada por José de Anchieta. Eles tinham razão em apostar as fichas nesse grupo: no litoral, os tupis eram poderosos e influentes. Podiam garantir o sucesso, ou o fracasso, do esforço de colonização.

Você já deve ter ouvido falar em tupis-guaranis. Eles são uma família subdividida em dezenas de grupos autônomos. Em 1500, os tupis-guaranis já estavam separados – tupis de um lado, guaranis do outro –, vivendo em áreas bem diferentes do continente.

O que a expressão em conjunto indica, na verdade, é que a origem deles é uma só: a região amazônica, por volta de 3 mil a.C. Enquanto faraós construíam as pirâmides de Gizé no Egito, esse grupo inicial começou um primeiro movimento de migração e dominação da América do Sul. Foi quando se diferenciaram.

Os guaranis desceram, usando os rios Guaporé, Paraguai e Paraná, para chegar até os atuais Mato Grosso, Paraguai, Paraná, Rio Grande do Sul e Uruguai.

Já os tupis seguiram rumo ao litoral. Em torno do ano 900 d.C., enquanto os europeus experimentavam a Idade Média e os samurais começavam a se tornar uma categoria social importante no Japão, os tupis realizaram uma nova expansão populacional, que os levariam a dominar uma parte considerável de toda a faixa de litoral da América do Sul, a começar pelo Nordeste, onde se espalharam depois de seguir o Rio Madeira, e depois o Amazonas até a foz, e dali para todo o litoral, começando no Pará e seguindo para o Sul.

Já não eram mais um único grupo – das 12 etnias que controlavam as terras do Pará ao Rio Grande do Sul no ano 1500, oito eram ligadas ao ramo tupi. Poucos, como os tremembés e os aimorés, eram tapuias. “Os povos litorâneos que viviam ali antes e foram dominados pelos tupis eram nômades e com menor domínio da agricultura. Consumiam produtos do mar e dos rios. Foram presa relativamente fácil para os tupis”, diz o arqueólogo Pedro Paulo Funari, professor da Universidade de São Paulo.

Canibalismo ritual

Quando os portugueses chegaram, existiam por aqui pelo menos quatro grupos linguísticos expressivos – quando se usam as particularidades de diferentes idiomas para caracterizar diferentes populações, destacam-se no cenário nacional do século 15 para o 16, além dos tupis-guaranis, os aruaques, os caraíbas e os gês.

Mas os colonizadores não sabiam de nada disso. Estavam ocupados com a própria subsistência em pequenos vilarejos à beira-mar. Com a ajuda dos degredados e dos náufragos, que foram sendo deixados na costa a partir de 1500, e do olhar analítico dos jesuítas a partir de então, começaram a perceber que viviam num outro mundo, com regras muito diferentes. Que incluíam o canibalismo.

Os rituais de canibalismo incluíam uma encenação: o prisioneiro era libertado, mas apenas para ser capturado logo em seguida.

Nem todos os grupos que habitavam as Américas naquela época o praticavam. Mas o costume era recorrente entre os grupos litorâneos, tupis ou não.

Funcionava assim: todos os prisioneiros de guerra acabavam mantidos em uma cabana individual. Recebiam alimentos e uma “esposa” para suas últimas semanas de vida – normalmente o homem que o havia aprisionado cedia uma irmã ou uma filha. Seus passos eram seguidos, mas não havia riscos de ele tentar fugir: seria uma desonra muito mais grave do que a morte. Até que chegava o grande dia.

A captura era encenada: o prisioneiro se via liberado para tentar fugir, já sabendo que seria pego novamente. Na sequência, era colocado diante do carrasco, que podia ser o cacique ou o homem que o capturou. Começava então um diálogo ritualizado, em que o vencedor descrevia seus feitos e anunciava que iria comer a carne do derrotado para ficar com sua força.

O capturado respondia que estava pronto para morrer, porque já havia, ele mesmo, se alimentado de parentes dos inimigos. E que seus familiares o vingariam, levando adiante o ciclo. O detido então recebia um único golpe de porrete na cabeça.

Os demais homens da comunidade cantavam e dançavam, enquanto o cadáver era cortado – quatro mulheres pegavam braços e pernas e corriam com eles nas mãos, em êxtase. Começava então o churrasco: a carne era assada em brasa para todos se alimentarem, incluindo crianças. Os bebês de colo não ficavam de fora: na hora da amamentação, as mães lactantes besuntavam os seios com sangue.

Desmembrado, o corpo era distribuído para todos os integrantes da tribo, homens e mulheres, de todas as idades.

Por falar em bebês, acontecia de nascerem filhos dos prisioneiros com as mulheres com quem eles compartilharam a rede. Todos tinham destinos terríveis. Em algumas tribos, os recém-nascidos eram enterrados vivos logo depois do nascimento. José de Anchieta chegou a desenterrar um deles para tentar salvá-lo, mas a criança não resistiu.

Havia lugares em que as crianças eram mantidas até chegar à idade adulta, quando recebiam o mesmo destino dos pais. Sabendo de tudo isso, muitas grávidas usavam chás e ervas abortivas para evitar que o feto viesse ao mundo.

Cerveja de mandioca

Interessados em conhecer os povos que queriam converter, os jesuítas perceberam que os costumes dos locais faziam sentido para o contexto em que eles viviam. Quanto mais poderoso o homem, mais esposas ele tinha, mas também precisava garantir que todas seriam bem cuidadas. Os casamentos eram arranjados para reforçar parcerias entre grupos, nada muito diferente do que se praticava na própria Europa da época.

Muitos europeus que se aliaram a índios reforçariam sua posição precisamente ao casar com filhas de caciques – que, aliás, costumavam ser entregues aos maridos logo depois da primeira menstruação, exatamente como também acontecia, na mesma época, no Velho Continente.

Comunidades sem hierarquia, como os tupis (mas não outros grupos indígenas sul-americanos), viviam dentro de ocas gigantescas, onde dezenas de pessoas compartilhavam o mesmo espaço, sem paredes.

Roupas eram desnecessárias, porque os locais besuntavam o corpo com tintas feitas à base de urucum e jenipapo, que protegiam tanto do sol quanto dos insetos – o costume era muito mais funcional do que as roupas escuras que os jesuítas usavam, ou as sandálias de couro fechadas que, depois de duas semanas de caminhada na mata molhada, deixavam os pés em carne viva.

O corte de cabelo também fazia sentido: ele podia variar de acordo com a etnia, mas em geral a nuca ficava exposta, o que facilitava a circulação de suor para a parte de trás da cabeça, sem que ele escorresse para os olhos e atrapalhasse um ataque ou uma fuga.

Bebia-se muito, e não por farra. A cerveja local era feita à base de mandioca ou milho, encorpada com mel ou frutas, que aumentavam o teor alcoólico. “As bebidas fermentadas dos grupos indígenas eram um alimento, uma espécie de mingau alcoólico. A fermentação aumenta o conteúdo vitamínico, especialmente a vitamina B”, diz Fernando Ozório de Almeida, professor do departamento de arqueologia da Universidade Federal de Sergipe.

Como alimento, era consumido no dia a dia. E também era muito usado, claro, durante as festas. Nos casamentos, rituais de iniciação e mesmo velórios, a bebida, chamada de cauim, era tomada por dias a fio. Principalmente os rituais de sacrifício humano e canibalismo eram regados a muita bebida.

Um carijó na França

Muito mais impressionante, do ponto de vista contemporâneo, não é o fato de os índios andarem pelados ou comerem os inimigos. É a diferença no desenvolvimento tecnológico. Os tupis não conheciam a roda nem a metalurgia – o que significa que não tinham, por exemplo, anzóis de ferro; para pescar o suficiente para alimentar aldeias com centenas de moradores, recorriam a flechas de madeira com pontas em farpa e, principalmente, a redes e a ervas capazes de, quando jogadas na água, paralisar cardumes inteiros.

Eles não haviam domesticado animais, desenvolvido armas de fogo. “Nem os grandes impérios americanos, maias, incas e astecas, contaram com tecnologias comuns no Velho Mundo. Isso significa que o progresso técnico não é algo universal nem inexorável. Os maias conheciam a roda, mas não a usavam. Todos conheciam metais, mas não se preocuparam com a metalurgia”, explica Pedro Paulo Funari.

Nesse sentido, para os índios, a chegada dos europeus representou um salto gigantesco para um mundo completamente diferente, quase outro planeta. Da noite para o dia, havia machados, anzóis, arados, cavalos, cachorros, armas de fogo, alimentos nunca antes vistos (incluindo frutas africanas e asiáticas, como coco, melancia, laranja e banana).

A cada vez que uma embarcação se aproximava da costa, com padres, guerreiros ou comerciantes, o equilíbrio alcançado ao longo de vários séculos de migração da Amazônia para o litoral se desmanchava mais um pouco. Um novo cenário surgia, muito rapidamente, e transformava a vida dos locais.

Veja o caso de Essomericq. Nasceu em Santa Catarina e seu nome originalmente era Açá-Mirim. Seu pai era o cacique Arosca, chefe de um grupo de carijós, índios de origem guarani que dominavam grande parte do litoral desde São Paulo até o Uruguai. Arosca estabeleceu boas relações com um grupo de mercadores franceses que, em 1504, chegaram aos arredores de suas terras – onde hoje fica o porto de São Francisco do Sul.

Em julho, depois de seis meses estacionado no litoral norte catarinense, o chefe da expedição, o capitão Binot Paulmier, decidiu voltar para casa – a cidade de Gonneville-sur-Honfleur, na Normandia. O cacique Arosca pediu que Binot levasse consigo seu filho.

Essomericq tinha 13 anos quando partiu para a França. Nunca mais voltaria para casa. Passaria a viver na cidade portuária francesa de Honfleur, onde herdaria os bens de Paulmier ao se casar com a filha do capitão, Marie Moulin, com quem teria 14 filhos e dezenas de netos.

Quando Essomericq morreu, com 94 anos, os carijós de Santa Catarina, incluindo seus irmãos e sobrinhos que permaneceram no Brasil, já tinham perdido parte considerável de suas terras e de sua população.

Mentiras em série

Pode ter demorado, mas, a certa altura, os europeus fizeram um grande esforço para entender os indígenas. Mas e os índios, como eles explicavam a chegada dos homens brancos? Na falta de registros escritos de parte dos nativos, o que existem são relatos coletados pelos próprios colonizadores. Um deles, em especial, é bastante expressivo.

Foi registrado por volta de 1610, no Maranhão, pelo missionário capuchinho francês Claude d’Abbeville – ele fazia parte da mesma missão que puniu Tibira com a morte por ele ser gay. Claude d’Abbeville disse ter encontrado um índio muito idoso, que teria mais de 180 anos de idade.

Seu nome era Momboré-Uaçu e não estava nem um pouco convencido das boas intenções dos franceses. Disse que já tinha vivido a mesma situação em Pernambuco, décadas antes. “No princípio, os peró (portugueses) só queriam negociar, e não morar aqui: dormiam então à vontade com as raparigas”, contou o velho índio.

“Depois, disseram ser-lhes preciso aqui morar; que necessitavam construir fortalezas, edificar cidades para morar juntos”, ele continuou, no relato publicado com o título História da Missão dos Padres Capuchinos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas. “Depois fizeram entender que não podiam ter assim as filhas deles, que Deus somente lhes permitia possuí-las por meio do casamento, e que não podiam casar-se com elas senão batizadas, e que para isso era necessário um padre.”

A sequência final é previsível: “Depois fizeram ver que tanto eles quanto os padres precisavam de escravos para servi-los. Não satisfeitos com os escravos aprisionados na guerra, quiseram também seus filhos, e finalmente capturaram toda a nação”.

Outra forma de lidar com o choque desse encontro foi incorporar os invasores aos seus mitos de origem. Algumas tribos que sobreviveram à colonização repetem ainda hoje histórias que explicam o surgimento daquelas pessoas de pele esbranquiçada, disparando trovões, falando uma língua esquisita, carregando consigo imagens de um homem crucificado e animais bicudos que punham ovos.

É o caso dos timbiras, que habitam parte do Maranhão, do Tocantins e do Pará: para eles, os brancos surgiram a partir de um garoto chamado Aukê. “Antigamente não havia civilizados, apenas índios”, relata a lenda local, descrita por Julio Cezar Melatti em seu livro Índios do Brasil. “Um dia o menino nasceu. Era Aukê. Ainda recém-nascido, transformava-se em rapaz, em homem adulto, em velho.

Os habitantes da aldeia temiam os poderes sobrenaturais de Aukê e, de acordo com seu avô materno, resolveram matá-lo.” Mas o menino sobrevivia a todas as tentativas de assassinato. Queimado na fogueira, virou cinzas e ressurgiu, como o primeiro homem civilizado.

“Quando Aukê os fez escolher entre a espingarda e o arco, os índios ficaram com medo de usar a primeira, preferindo o segundo. Por terem preferido o arco, os índios permaneceram como índios. Aukê chorou com medo de os índios não terem escolhido a civilização”.

E pensar que tudo isso começou de forma pacífica. O primeiro encontro de que se tem registro por escrito foi assim documentado por Pero Vaz de Caminha, o escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral: “Acudiram pela praia homens aos dois e aos três, de maneira que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá estavam dezoito ou vinte. Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas”, descreveu em sua famosa carta sobre os acontecimentos registrados durante a segunda metade de abril de 1500.

Dois índios foram colocados numa jangada e levados para o navio do comandante Pedro Álvares Cabral. Caminha os descreveu assim: “A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma”.

Não gostaram da comida que receberam. Os dois cuspiram o vinho que lhes foi servido, recusaram pão, pastéis, peixes cozidos e figos secos. Ficaram assustadíssimos quando viram uma galinha, mas confiaram o suficiente nos europeus para, exaustos, dormir sobre tapetes, dentro do navio.

Estavam nus, deitados de barriga para cima, com as pernas abertas, mas aceitaram ser cobertos por mantos. Na manhã seguinte, foram levados de volta para a praia. Pediram camisetas e um colar de contas brancas, mas não ganharam. O presente seria outro: dias depois, passaram a contar com a companhia de quatro europeus.

Preconceito explícito

Portugueses executavam indígenas homossexuais.

Um dos costumes locais que provocaram conflitos entre indígenas e europeus era a homossexualidade. Ainda que atualmente grupos de lideranças indígenas evangélicas neguem, a prática era aceita pelos nativos com os quais os europeus tiveram contato nos séculos 16 e 17.

Historiadores da época, como Pero de Magalhães Gandavo, e missionários do porte do padre Manuel da Nóbrega, identificaram a prática e, como seria de se esperar, a criticaram severamente.

Eles viram homens que andavam e dormiam juntos, e também casais de mulheres. Em muitos casos, até mesmo transgêneros existiam e eram aceitos e bastante respeitados como pessoas capazes de vivenciar, simultaneamente, os dois pontos de vista, masculino e feminino.

A perseguição europeia foi implacável. O índio Tibira, por exemplo, se viu amarrado à boca de um canhão, no Maranhão, em 1614, por obra de missionários capuchinhos franceses. Condenado por sodomia, foi preso, fugiu, acabou sendo recapturado e teve o corpo destroçado. Seus pés caíram no chão.

O resto foi arremessado, em pedaços, em direção ao mar. Antes disso, foi batizado com o nome Dimas, o nome que a tradição cristã deu ao bom ladrão, crucificado ao lado de Jesus e que receberia o perdão. Em 2016, uma estátua em homenagem a Tibira foi inaugurada em São Luís.

Com o passar das décadas, o Brasil começou a receber visitas de representantes do Tribunal da Inquisição. Entre os principais alvos, estavam praticantes do judaísmo – e homossexuais, fossem eles indígenas ou europeus. Mais recentemente, grupos indígenas convertidos ao cristianismo passaram a renegar as práticas sexuais de seus ancestrais.

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