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ESPECIAL | Protestos em Cuba: por que parte dos cubanos continua a apoiar governo

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Protestos e antiprotestos. Assim se resumiu o agitado último fim de semana em Cuba, quando milhares de cidadãos saíram às ruas para protestar contra o governo. Ao mesmo tempo, outros grupos saíram para defendê-lo.

Os milhares de cubanos que se manifestaram contra o governo em mais de 20 cidades realizaram as maiores manifestações no país nos últimos 60 anos. Eles marcharam sob gritos de “liberdade”, “abaixo a ditadura” e “pátria e vida”.

Diante desses protestos, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, convocou os seguidores do governo a saírem às ruas para “enfrentar” os opositores.

“Convocamos todos os revolucionários do país, todos os comunistas, a tomarem as ruas e irem aos lugares onde vão acontecer essas provocações, hoje, de agora em diante e em todos estes dias”, disse o presidente em uma mensagem considerada incomum. Ela foi transmitida por todas as redes de rádio e televisão da ilha, também no domingo.

Após a convocação do mandatário, centenas de cubanos foram às ruas em atos a favor do governo em Havana e em algumas províncias.

Os vídeos mostram dezenas de apoiadores do governo segurando faixas de Fidel Castro, bandeiras cubanas e do Movimento 26 de Julho (grupo fundado por Fidel Castro, em 1954, em oposição ao então ditador Fulgêncio Batista). Eles também gritaram palavras de ordem a favor do presidente Miguel Díaz-Canel e contra os Estados Unidos.

As vozes que defendem o governo cubano também se expressaram nas redes sociais.

“Em Cuba, as ruas pertencem aos revolucionários. Também é hora de dominar as redes”, escreveu Yaira Jiménez Roig, funcionária do Ministério das Relações Exteriores de Cuba, no Facebook.

Em defesa da ‘Revolução’

Díaz-Canel chama e seus apoiadores respondem sem hesitar. É a gente de Fidel que intimida os manifestantes…”, escreveu uma usuária identificada como Heidy Villuendas no Facebook. A publicação tinha também algumas fotos dos manifestantes em Havana.

Um usuário identificado como Alejandro Ruiz, de Havana, disse à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, que em Cuba “só ocorreram motins, distúrbios causados por um grupo de mercenários e criminosos, alguns dos quais agiram com violência”.

O governo cubano geralmente acusa seus oponentes de serem mercenários ou agentes a serviço dos Estados Unidos.

“Nas revoltas éramos cubanos comuns defendendo nosso trabalho. Nosso povo é heroico, pronto para morrer em defesa de uma obra de justiça social”, acrescentou Ruiz.

Antonio Crespo, de San Antonio de los Baños, foi outro dos que marcharam em apoio ao governo, segundo o Granma, jornal oficial do Partido Comunista de Cuba.

“Aqueles de nós que chegamos até aqui somos vigilantes fiéis da revolução, somos fortes porque fomos criados por ela. E agora, com a presença de Díaz-Canel, nos sentimos firmes, seguros, porque a revolução está com o povo, que é o verdadeiro dono das ruas. Em Cuba não vamos permitir que ninguém leve o que conquistamos”, disse Crespo à publicação.

Roberto Reyes Herrera, outro dos apoiadores do governo citados pelo Granma, manifestou sua gratidão pelas “oportunidades que a revolução lhe deu e que poucos não querem reconhecer”.

Yaima Pérez, da cidade de Bayamo, acrescentou: “Não estou sozinha cuidando do meu trabalho, estou cuidando do futuro dos meus filhos, da sua tranquilidade e da sua felicidade porque quero que continuem vivendo e crescendo em um país soberano.”

Por sua vez, um estudante identificado como Yurisdán Paneque, da cidade de Camagüey, afirmou: “Hoje vim aqui (ao protesto pró-governo) como um jovem que está conseguindo um diploma universitário gratuitamente, bem como para defender todas as conquistas da revolução por mais mais de 60 anos de lutas pelo nosso direito à paz e à determinação de nosso próprio destino socialista”, disse Paneque, segundo o portal da Agência Cubana de Notícias.

Segundo o jornal oficial Juventud Rebelde, também ocorreram manifestações em locais como Cienfuegos, Caibarién, Guantánamo e Artemisa.

Além dos atos pró-governo, dezenas de usuários se manifestaram nas redes sociais contra o embargo e as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos contra Cuba, processo conhecido como “bloqueio”.

O governo cubano atribui a atual situação econômica ao embargo norte-americano.

Numerosos usuários do Facebook e Twitter compartilharam a hashtag #EliminaElBloqueo e muitos outros colocaram um filtro em sua foto de perfil que diz “Matanzas não está sozinha”, aludindo à difícil situação que enfrenta a província cubana em face da pandemia covid-19 – o governo prometeu a resolver a situação.

Crise econômica e de saúde

Os protestos de domingo em várias cidades cubanas parecem ser o resultado de um cansaço acumulado da população contra o governo.

A frustração e o cansaço aumentaram nos últimos meses após uma das maiores crises econômicas pelas quais a ilha passou desde o chamado “período especial” (a crise no início dos anos 1990 após o colapso da União Soviética), com meses de escassez de alimentos, remédios e produtos de necessidades básicas, além de apagões de energia e aumento da inflação.

As manifestações acontecem também no pior momento da pandemia no país, com relatos de hospitais superlotados e depoimentos de vários cubanos que asseguram que seus familiares morreram em casa sem receber atendimento médico e medicamentos.

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Vacinas contra covid podem render R$ 13 bilhões para Johnson & Johnson

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Com a fabricação do imunizante contra o coronavírus, a companhia farmacêutica norte-americana Johnson & Johnson planeja vender 2,5 bilhões de dólares (R$ 13 bilhões) em vacinas.

Conhecida por produzir a vacina de dose única, a empresa vende o antiviral a preço de custo. Apenas no segundo trimestre, foram arrecadados 164 milhões de dólares em distribuição do produto.

O imunizante foi aprovado em fevereiro com urgência nos Estados Unidos. Apesar da suspensão temporária após relatos de reações adversas em uma pequena parcela dos vacinados, o antiviral continuou a ser distribuído para a população americana e de outros países.

Além das vacinas, a companhia também lucrou com o aumento nas vendas de produtos farmacêuticos e de higiene pessoal.

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VÍDEO | Após voo ao espaço, Bezos diz que ‘funcionários pagaram por tudo’. Declaração não pegou bem

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  • A declaração não pegou muito bem
  • A Amazon vem saindo de forma negativa no noticiário quando se trata de funcionários
  • Em uma denúncia, colaboradores disseram que faziam xixi na própria estação de trabalho

Agradeço a cada funcionário da Amazon, a cada cliente. Vocês pagaram por isto tudo aqui”, disse o bilionário logo depois de voar com a New Shepard, da Blue Origin, empresa de exploração espacial fundada por ele em 2000.

A cápsula em que eles decolaram partiu de uma base no Texas para um voo que durou exatos 10 minutos e 22 segundos.

“Para mim, o momento de paz mais profunda foi olhar para a Terra, para a atmosfera. Todo astronauta, todos os que foram ao Espaço dizem isso, que se sentem pasmos e maravilhados de olhar para a Terra com toda sua beleza, mas também sua fragilidade. E eu assino embaixo”, disse. 

A cápsula em que eles decolaram partiu de uma base no Texas para um voo que durou exatos 10 minutos e 22 segundos.

“Para mim, o momento de paz mais profunda foi olhar para a Terra, para a atmosfera. Todo astronauta, todos os que foram ao Espaço dizem isso, que se sentem pasmos e maravilhados de olhar para a Terra com toda sua beleza, mas também sua fragilidade. E eu assino embaixo”, disse.

Xixi no trabalho e sindicatos

A Amazon não vem saindo bem no noticiário ultimamente. A empresa teve negar que os funcionários da companhia fizessem xixi e outras necessidades em sacos por não poderem parar para ir ao banheiro. Colaboradores confirmaram que fatos desse tipo aconteceram de verdade.

Em outro episódio, a companhia foi acusada de pressionar seus funcionários a votarem contra a formação de um sindicato.

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