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JUSTICEIRAS | Conheça o grupo de mulheres que combatem a violência doméstica durante a pandemia

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Justiceiras

Como adiantei para vocês na última coluna, ( Revista Cláudia) plataforma Justiça de Saia uniu esforços com as organizações Bem Querer Mulher e o Instituto Nelson Wilians para criar o projeto Justiceiras. É uma maneira de estarmos ao lado das mulheres neste momento, pois os casos de violência doméstica cresceram no confinamento. Formamos uma rede de mais de 800 voluntárias das áreas de direito, assistência social e psicologia para informar e, antes mais nada, apoiar, fortalecer e encorajar as vítimas. Quem precisar de ajuda pode entrar em contato pelo WhatsApp

(11 99639-1212). Estamos prontas para ouvir você!

O que elas sofrem

Nas duas primeiras semanas do projeto, em abril, percebemos alguns padrões durante os atendimentos realizados: 49% das mulheres buscavam ajuda pela primeira vez, proporção bastante relevante, pois notamos quantas vinham sofrendo caladas. A maioria relatou ser vítima de violência psicológica, e quatro em cada dez sofreram violência física. Os agressores eram, sobretudo, companheiros ou ex. Ouvimos diversas queixas de aumento da tentativa de controle dos homens sobre a comunicação por internet e telefone delas. Notamos também muitos casos de uso abusivo de álcool e drogas. As mulheres que nos procuraram eram de 16 estados mais Distrito Federal.

Denuncie de casa 

De acordo com dados do Núcleo de Gênero e do Centro de Apoio Operacional Criminal (CAOCrim) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), organizados pela promotora Valéria Scarance, minha colega, no mês de março, quando começaram as medidas de isolamento social em São Paulo, houve um aumento de 29% no número de medidas cautelares expedidas e de 51% no de prisões em flagrante por violência doméstica. Para barrar a escalada nesse período, diferentes estados têm feito mudanças para que as vítimas possam denunciar sem sair de casa. No Distrito Federal, Espírito Santo, Piauí, Rio de Janeiro e em São Paulo, é possível registrar boletim de ocorrência online e até anexar fotos de lesões se houver.

Carta a elas

Outra medida de mulheres do Judiciário nestes tempos de quarentena é o projeto Carta de Mulheres, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, destinado a todos os municípios. Por meio do site, sob sigilo, tanto a vítima quanto testemunhas podem pedir orientações sobre como proceder após violência. As dúvidas são respondidas por especialistas da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário (Comesp), levando em consideração a situação da vítima e o tipo de agressão. Assim, são indicados os melhores meios de buscar ajuda (incluindo instituições públicas e redes assistenciais não governamentais) ou de registrar denúncia formal. Também são esclarecidos os possíveis desdobramentos em casos de denúncia e os tipos de medida protetiva existentes.

Agora é lei

Foi sancionada no último mês uma alteração na Lei Maria da Penha que tem potencial para contribuir muito com o combate à violência doméstica. Trata-se da obrigatoriedade de o agressor fazer acompanhamento psicossocial e frequentar programas de recuperação e reeducação. É um jeito de minar a reincidência. O filósofo Sérgio Barbosa acredita nesse caminho há muito tempo – ele toca projetos de desconstrução de estereótipos cruéis de masculinidade desde a década de 1990. “A educação é muito mais poderosa do que a detenção em um lugar onde os homens podem piorar. É necessário incluí-los não como algozes, mas como responsáveis pela situação e protagonistas de suas transformações”, diz ele. Atualmente, Sérgio coordena grupos reflexivos com homens condenados por violência doméstica no programa Tempo de Despertar, que começou no Ministério Público de São Paulo.

Em tempos de isolamento, não se cobre tanto a ser produtiva

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Marcelo Albuquerque lança Drive Gyn no Serra Dourada com apoio do governo de Goiás. Confira

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Com as salas de cinema fechadas por conta da pandemia, Goiânia recebe a partir desta quinta-feira (18) o Drive Gyn, no estacionamento do Shopping Flamboyant, onde as pessoas vão poder assistir a filmes e shows de dentro dos carros. Segundo a organização, a estrutura conta com projetor de cinema em resolução 4K e tela com 14 metros de altura e 24 metros de largura. O projeto foi desenvolvido por Marcelo Albuquerque, editor do Curta Mais, empresário e jornalista

A transmissão de áudio será em FM estéreo no próprio som dos veículos que estiverem no local para assistir à programação. “O público pode esperar emoções coletivas, o cinema tem esse poder. Mesmo que cada um esteja no seu carro, a gente vai conseguir interagir de forma visual com as pessoas. É a arte do encontro. Mesmo sem o toque, nós estaremos próximos através do carros”, diz Gerson Santos, um dos organizadores do evento.

Serão três sessões diárias do Cinema Lumiére, de segunda-feira a domingo, com filmes de gêneros variados, sempre incluindo o animações. Serão 90 dias de Drive Gyn. Além de filmes, serão exibidos palestras, shows, teatro e até competições esportivas.

Os interessados podem adquirir os ingressos pelo site do Drive Gyn ou no local. Os valores são a partir de R$ 60 para até 4 pessoas em um carro. O ingresso é via QRCode, não há revalidação ou devolução. Após a compra, é necessário salvar o ingresso no celular ou imprimir o QRCode para apresentar no local.

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NILSON GOMES | Líderes empresariais aliam machismo a negação à ciência

Caiado reconhece o empoderamento das mulheres e lhes pede ajuda no combate ao coronavírus, para desespero de quem acha que carreata salva vidas e empresas

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O trânsito de Goiânia é a maravilha típica de cidades dominadas, ao longo das décadas. Somem-se ao caos, atualmente, as Carreatas do Vírus, aquelas aglomerações de carros atrás de um caminhão de som com alguém ao microfone agredindo o bom senso e a Língua Portuguesa.

Por analogia, as mais recentes carreatas da insensatez exigiam a morte de 18 mil goianos, desde que não fossem da família ou do círculo de amizades dos entrincheirados nas caminhonetonas. Dezoito mil seria número de vítimas fatais até setembro, de acordo com cálculos de cientistas da Universidade Federal de Goiás, se o isolamento social permanecesse na faixa inferior a 40%.

Após essa previsão funesta, o governador Ronaldo Caiado e lideranças municipais de boa índole, como o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, se reuniram com Ministério Público, deputados e magistrados. Pauta: salvar as 18 mil vidas e livrar das sequelas outras centenas de milhares de pulmões.

Caiado, Iris e outros 50 prefeitos conscientes decidiram-se pela ciência. Num desrespeito aos mortos, aos sobreviventes e a seus familiares, algumas lideranças empresariais convocaram manifestações contra a estratégia técnica de salvar vidas.

A tática do Gabinete da Cova Rasa, formado por alguns empresários e prefeitos, é deixar como está para virem como é que fica. Eles ficam no exterior curtindo a vida adoidadamente e os pobres ficam enfrentando o vírus em ônibus lotados.

Neste fim de semana, o governador Ronaldo Caiado gravou um vídeo muito interessante. Nele, denuncia a tentativa dos tais presidentes de algumas entidades que criaram a dicotomia entre viver e trabalhar. Na opinião dos líderes classistas, quem trabalha não precisa viver.

Outro achado do vídeo é o governador se aliar às mulheres para impedir a propagação do vírus. Parece atitude do Século 15 da Era Cristã, mas existem visíveis traços de machismo na negação dos protocolos de combate à Covid-19. Machões consideram “frescura” usar máscara. Os mesmos líderes classistas limpam as mãos com álcool em gel após cumprimentarem os pobres nas carreatas, não para impedir a expansão do novo coronavírus.

Empoderamento da mulher, para esses machistas, é um palavrão não pelo tamanho do termo, mas pelo que ele significa.

Esses machistas não acompanham o heroísmo de profissionais da saúde, dos diferentes gêneros: enfermeiros, fisioterapeutas, médicos, farmacêuticos e tantos outros (como motoristas de ambulâncias, também heróicos).

As mulheres podem ainda ser minoria entre os médicos particulares, mas prevalecem no serviço público. São majoritárias na Enfermagem, principalmente entre os técnicos. E assim se repete nas áreas de nutrição, psicologia, bioquímica, fisioterapia, farmácia…

Portanto, Ronaldo Caiado está sendo é muito feliz em estabelecer parceria com cada mãe, cada filha, esposa, namorada, neta, prima, sobrinha, vizinha, colega de trabalho, chefe, professora etc.

Os machões terraplanistas negam a ciência do mesmo jeito que negam o machismo e o racismo. E a ida à Lua? Ficção! Veja a bandeira se mexendo onde não há vento.

Onde há muito vento é na caixa craniana de quem levanta falsas comparações com revezar o atendimento essencial durante 14 dias enquanto espera a abertura completa.

Nilson Gomes é jornalista.

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