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Luciano Huck é pressionado por CEOs para “dizer a real sobre país” e responde: Brasil vai implodir

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Não dá para discutir os problemas do Brasil com um monte de homem branco na Faria Lima”. A frase não é de Guilherme Boulos. É de Luciano Huck. E foi dita ontem (09), para um monte de homem branco e bem perto da cosmopolita avenida Faria Lima, em São Paulo.

O empresário e apresentador fechou a edição 2019 do Exame Fórum, onde figuras salientes da política e do empresariado brasileiro discutiram os rumos desta nação mais desorientada que motorista inconsequente em rodovia com radar desativado – o tema do encontro era “como recuperar o foco no desenvolvimento”.

Huck, para possível surpresa de muitos, foi o responsável pelas colocações mais contundentes. E olha que por lá passaram políticos que não são exatamente conhecidos pela retórica moderada, como o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSL), e o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM).

Antes de chamar Huck de comunista ou radical nas redes sociais, saiba que o próprio fórum foi um bom exemplo da imagem elaborada pelo apresentador global. Dos cerca de 400 presentes, a reportagem do UOL contou dois negros, e a porcentagem de homens na plateia parecia, no “olhômetro”, estar próxima a algo como 70% (a assessoria de imprensa não tinha a proporção exata).

Não, ninguém está acusando os organizadores do evento de discriminação. Convenhamos: este é o público habitual deste tipo de encontro. Mas fingir que isso é “ok” no maior país negro fora da África é uma péssima maneira de começar a pensar o futuro do país.

O Fórum Exame 2019 foi realizado no Hotel Unique, cujo formato lembra o de um navio encalhado e petrificado bem no meio da cidade. Pelo menos não está afundando, como muitos temem estar acontecendo com o país que perdeu seu rumo ao desenvolvimento.

“Este é o momento em que somos iguais, todo mundo precisa alimentar a matéria”, disse Marina Silva ao abrir sua apresentação. Ela falou enquanto as pessoas almoçavam e aproveitou o “gancho”. Mas o barulho de talheres e outros ruídos clássicos da trilha sonora de um almoço coletivo tornou tudo meio estranho: uma ex-ministra do Meio Ambiente e ativista abordava um dos assuntos mais importantes da atualidade, a devastação da Amazônia, enquanto a grande a maioria das pessoas estava de costas e mais focada na comida em seus pratos.

Marina ainda falava quando quase todo mundo já tinha terminado de comer. Aí mais gente pareceu prestar atenção, mas a impressão ainda era a de que alguns ali não queriam ser importunados com esses assuntos chatos em pleno almoço.

Uma intervenção de Witzel

O governador paulista, João Doria, falou na sequência. Com o lado propagandista mais afiado do que nunca, elencou feitos com tal volúpia que que deu certa pena dos governadores que falariam na sequência: além de Witzel, Rui Costa (PT), governador da Bahia; Camilo Santana (PT), do Ceará; e Helder Barbalho (MDB), do Pará.

Não que eles não tivessem seus méritos para divulgar: é que concorrer com os números do estado mais rico da federação, ainda mais eles apresentados por João Doria, faz você parecer alguém não tão empenhado assim em solucionar os problemas que te cabem.

Não à toa, Doria foi muito aplaudido tanto no início quanto no término da palestra. O vídeo feito pelo governo paulista para divulgar o Estado a investidores estrangeiros foi tão ovacionado quanto a obra favorita ao Oscar em uma première.

Falando em conquistas, Witzel fez questão de destacar as do Rio de Janeiro na área da Segurança Pública: a Baixada Fluminense não tem um único homicídio há incríveis quatro dias inteiros, o que, nas palavras do governador, é suficiente para classificar o momento como “auspicioso”. Quando Doria falou em segurança pública e disse que “certamente Witzel tem uma intervenção a fazer a este respeito”, alguns sorrisos surgiram na plateia.

Já Fernando Holiday aproveitou a ocasião para, mais uma vez, fazer uma “mea culpa”. Admitiu que o MBL exagerou na radicalização e tratou esquerdistas como pessoas que sequer merecem o diálogo. Porém, confessou, quase um dia todo no gabinete de Eduardo Suplicy ouvindo sobre o projeto renda mínima o fez mudar de ideia. Ele percebeu o quão importante é ouvir opiniões diversas. Em outras palavras, uma vez eleito Holiday descobriu que adversário político também é gente. Adotar a moderação no Brasil de hoje é sempre um ato passível de admiração mesmo para os incendiários.

Huck: “Brasil vai implodir”

Por fim, Luciano Huck. Único palestrante aplaudido de pé, afirmou que “não adianta juntar todos os empresários e filantropos do Brasil que o ponteiro da desigualdade não vai andar”, que “o Brasil vai implodir” se nada for feito para conter a desigualdade e que só o Estado pode fazer algo, afirmação um tanto aguda para um evento com tantos amantes do liberalismo.

Sim, soa óbvio, mas é curioso que um evento como o Exame Fórum precise de um apresentador global para o público ouvir verdades sem rodeios. Huck contou sobre Pelé, pipoqueiro de Lagoa da Prata (MG) descendente de escravos que, apesar de trabalhar há 70 anos, não conseguiu comprar uma porta para casa até hoje.

A foto do apresentador ao lado de Pelé e sua família tinha mais negros do que a reportagem foi capaz de notar entre o público.

Huck foi ovacionado depois de ser o mensageiro de uma notícia nova, mas chocante para a plateia: o Brasil está cheio de Pelés.

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LUTO | Brasil tem recorde de mortes de Coronavírus em 24 horas com 1.349 óbitos registrados

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Brasil registra 1.349 mortes por coronavírus e bate novo recorde diário; total é de 32.548

Em apenas 24 horas, foram contabilizados mais 28.633 casos de Covid-19; país chega a 584.016 confirmações.

O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (3) seu mais recente balanço com as atualizações de casos e mortes por complicações do coronavírus Sars-Cov-2 no Brasil. Os principais dados são:

32.548 mortes, eram 31.199 na terça (2)

Foram 1.349 registros de morte incluídos em 24 horas

584.016 casos confirmados, eram 555.383 na terça

Foram incluídos 28.633 casos em 24 horas

312.851 pacientes estão em acompanhamento (53,6%)

238.617 pacientes estão recuperados (40,9%)

O balanço da quarta-feira registrou também 408 mortes que aconteceram nos últimos 3 dias. Além disso, segundo o Ministério da Saúde, há mais 4.115 suspeitas que estão sob investigação.

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Bolsonaro diz não ao socorro para estados e Rodrigo Maia costura pra derrubar veto presidencial

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Setores do Congresso Nacional se movimentam para que o veto do presidente Jair Bolsonaro que impediu repasses de R$ 8,6 bilhões para estados e municípios  seja derrubado.

O projeto original aprovado pelo Congresso previa a extinção do Fundo de Reserva Monetária, mantido Banco Central, e a destinação dos recursos para o enfrentamento da pandemia. Mas Bolsonaro vetou todos os dispositivos que vinculavam o uso do dinheiro à batalha contra o coronavírus.

Vetos presidenciais precisam ser confirmados por deputados e senadores em sessão conjunta. O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), tenta negociar com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) uma data para análise dos vetos.Vetos presidenciais precisam ser confirmados por deputados e senadores em sessão conjunta. O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), tenta negociar com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) uma data para análise dos vetos.

“Desde ontem estamos cobrando do presidente Davi que reúna o congresso presencialmente para apreciar os vetos ao PLS 873 (ampliação do auxílio emergencial) e ao PLP de ajuda aos estados. Vamos incluir mais esse na cobrança”.

Davi Alcolumbre disse na sessão do Senado desta quarta-feira que pretende convocar uma sessão do Congresso na próxima semana.

O deputado Luís Miranda (DEM-DF), que foi relator do texto na Câmara, disse que a ação de Bolsonaro representa uma quebra de compromisso assumido pelo governo.

“Houve acordo com o governo, a gente consultou o Ministério da Economia e o Banco Central. O líder do governo no Senado foi o relator da matéria quando chegou ao Senado”, declarou ao Congresso em Foco Premium.

O deputado do DEM afirmou que o presidente centraliza as ações do governo e que diálogos construídos entre ministros e Congresso perdem a força na gestão de Bolsonaro.

“A revolta de todo mundo é que parece que o presidente quer mandar um recado para o Congresso dizendo que é ele que manda, não adianta falar com os ministros dele, falar com a equipe técnica dele, ter pareceres do governo porque o governo é de um homem só. O veto vai ser derrubado”.

A decisão de Bolsonaro foi amplamente criticada nas redes sociais, sobretudo por congressistas de oposição.

No entanto, pelo menos por enquanto, as críticas em relação a matéria não tem reverberado nos partidos do Centrão, que estão se aproximando do governo. O bloco informal de centro e direita ainda não se posicionou sobre o tema.

O líder do Solidariedade na Câmara, Zé Silva (MG), disse que ainda não há uma articulação dos partidos sobre o veto.

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