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O vírus que aumente a febre política

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O que é verdade e o que é imaginação criativa sobre Winston Churchill nem sempre têm uma distinção clara. Mas vamos lembrar aqui uma anedota como só o gênio inglês poderia produzir. Ele e Clement Attlee estavam no banheiro da Câmara dos Comuns. Haviam governado juntos durante a guerra — muita gente esquece a parte de Attlee, o líder da oposição trabalhista, encarregado de tocar o dia a dia enquanto Churchill derrotava a Alemanha nazista. O impossível tinha acontecido. O “homem modesto, com muitos motivos para a modéstia”, numa das incontáveis zoações churchillianas, derrubara nas urnas o aristocrata com lugar garantido em qualquer lista dos dez maiores vultos da história humana. Voltando ao mictório. “Está se sentindo meio estranho, Winston?”, perguntou Attlee, um socialista austero e furiosamente estatizante, querendo fazer graça. “Com certeza, Clement. Sempre que você vê alguma coisa grande, privada e que funciona bem, quer nacionalizar.”

Ah, que tempos. Ah, que homens. Ah, como é inútil ficar fazendo comparações históricas. A crise do coronavírus só pode ser chamada de “a maior desde a II Guerra Mundial” porque a mente humana exige classificações. Todas as suas características únicas já foram suficientemente ressaltadas, mas vale a pena lembrar que o vírus maldito e a peste da devastação econômica, com as violentas tensões que o combate a ambos desencadeia, não criaram uma situação em que todos os humanos gritam “invasão nazista” ou “ataque de zumbis alienígenas”, agarram paus e pedras e vão para a luta, sob risco de se acabarem todos. Os prejuízos individuais no caso da epidemia são calculados de forma diferente. Qual o maior risco para mim: pegar o vírus e sofrer a versão (minoritária) que frequentemente leva à morte ou ficar preso em casa, sem dinheiro e sem trabalho? As decisões coletivas, obviamente, seguem padrões diferentes, mas o peso da avaliação individual ajuda a entender por que as divisões políticas, quando já são muito gritantes, aumentam em vez de diminuir neste momento de crise.

São fenômenos autoevidentes, embora não únicos, nos Estados Unidos e no Brasil. Note-se que os dois países têm em comum a vastidão territorial e as diferenças regionais da epidemia. Nova York (ou São Paulo) enfrenta uma realidade, brutal, embora já em refluxo, bem distinta da de Iowa ou Nebraska, alguns dos estados onde se disseminou, sem confrontos graves apesar do tamanho das armas que fazem parte da paisagem do interiorzão americano, o movimento pelo fim do isolamento. Por incrível que pareça, isso não é uma má notícia, pois mostra que a devastação não atingiu um nível que faria com que os derrotados se unissem sob qualquer bandeira. Também não é errado políticos quererem ganhar eleição — e para isso apostarem no menor desgaste possível. Apostam errado? Perdem. E acabam todos no lugar onde os fluidos corporais de Attlee e Churchill terminaram no dia daquele encontro. Sem nem deixar uma anedota espirituosa para a história. Falando em apostas, é razoável presumir que algumas coisas não acontecerão: golpe militar, racha da Federação americana e gente rasgando os 600 reais que o governo pôs no bolso dos mais desamparados.

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Os oito principais fatos e acontecimentos: comece a segunda-feira 13 de Julho sabendo mais. Clique e confira

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Brasil passa de 72 mil mortes por coronavírus; Médica suspensa pelo Einstein se desculpa por comparar coronavírus ao Holocausto; Condenado pela Lava Jato, ex-deputado morre de coronavírus; Falta de máscara no Rio poderá render 2 multas; Efeito Bolsonaro? Registros de bebês com nome “Jair” crescem 36%; Exército está se associando a genocídio’, diz Gilmar Mendes; governo rebate; Ato inter-religioso em SP tem críticas a Bolsonaro; Para ministro, universidades ensinam ‘sexo sem limites’.

Brasil passa de 72 mil mortes por coronavírus

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) atualizou para 72.100 o número de mortes em decorrência do novo coronavírus no Brasil neste domingo (12). Ao todo, também foram confirmados 1.864.681 casos da Covid-19 no país. Até sábado (11) eram 71.469 mortes e 1.839.850 casos. Veja os casos de coronavírus por estado.

Médica suspensa pelo Einstein se desculpa por comparar coronavírus ao Holocausto

A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi pediu desculpas por ter comparado o pânico provocado pelo novo coronavírus ao Holocausto, extermínio de mais de 6 milhões de judeus pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. A fala provocou sua suspensão do Hospital Israelita Albert Einstein. 

Condenado pela Lava Jato, ex-deputado morre de coronavírus

O ex-deputado federal Nelson Meurer, primeiro condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Operação Lava Jato, morreu na manhã deste domingo (12), vítima do novo coronavírus. 

Falta de máscara no Rio poderá render 2 multas

Quem transitar sem máscaras pelas ruas do Rio a partir desta segunda-feira poderá ser multado duas vezes. O governador Wilson Witzel anunciou que passará a valer lei estadual que estabelece multa de R$ 106,65 pela falta do equipamento. 

Efeito Bolsonaro? Registros de bebês com nome “Jair” crescem 36%

Desde 2006, não nasciam tantos bebês com o nome “Jair”. Segundo dados da Associação Nacional dos Registrados de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), as crianças batizadas com o nome do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cresceu 36%.

Exército está se associando a genocídio’, diz Gilmar Mendes; governo rebate

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou no sábado (11) a ausência de comando oficial no Ministério da Saúde em meio à pandemia de coronavírus. 

Ato inter-religioso em SP tem críticas a Bolsonaro

A Praça da Sé, no centro de São Paulo, recebeu no domingo um ato inter-religioso em defesa das vidas negras e da democracia. A manifestação foi convocada pelas torcidas organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

Para ministro, universidades ensinam ‘sexo sem limites’

Outro vídeo com uma fala polêmica do pastor e advogado Milton Ribeiro, escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como novo ministro da Educação, viralizou nas redes sociais. No material, ele disse que as universidades ensinam “sexo sem limites”.

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Caiado recebe Iris no Palácio na manhã desta segunda e anunciará novas medidas contra disseminação do Coronavírus

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Governador Ronaldo Caiado recebe prefeito de Goiânia Iris Rezende para anunciar novas medidas em coletiva de imprensa que será realizada às 9 h no Palácio das Esmeraldas

Matéria será atualizada quando objetivemos novas informações

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